Eutique:
Aonde vai me levar?
Luzia:
Ao túmulo de Santa Ágata. Tenho certeza e fé em Deus que de lá, a
senhora sai curada.
(Então
as duas foram em peregrinação ao túmulo da santa. Lá, enquanto
faziam suas preces Luzia teve a seguinte visão: anjos rodeavam Santa
Ágata, e que a mesma disse-lhe:)
Ágata:
Luzia
minha irmã, porque pedes a mim uma coisa que tu mesma podes
conceder?
(Luzia,
despertando da visão, disse à mãe:)
Luzia:
Mamãe,
a senhora está curada.
Eutique:
Bendito
seja Deus!
Luzia:
Sabe
mamãe, foi a esse mesmo Deus que te curou hoje a quem eu me
consagrei. Sim, eu fiz um voto de virgindade a Jesus, e que irei
distribuir todos os meus bens aos pobres.
Eutique:
Querida,
Luzia minha filha, tudo o que é meu e de seu falecido pai é teu,
por isso faça o que queres.
Luzia:
Obrigada,
mamãe!
(Ao
chegar em casa elas começaram a distribuir todos os seus bens aos
pobres. Um jovem muito rico e pagão, politeísta de nascença, que
já era apaixonado por Luzia, foi perguntar à mãe de Luzia...)
Jovem:
Cara
Eutique, qual a razão para tanto esbanjamento de dinheiro por parte
de tua filha?
Eutique:
Luzia
é muito providente, ela achou bens muito mais valiosos do que esses
e por isso é que estamos fazendo isso.
(O
jovem entendeu como quis e foi-se embora para casa. Os dias se
passavam e Luzia e sua mãe davam mais e mais dinheiro aos
necessitados. Nisso...)
Jovem
(pensando): “Não
há dúvidas... Luzia é cristã.”
(Logo,
foi denunciá-la à coorte do Imperador Diocleciano)
Jovem:
Eu
venho aqui para denunciar uma cristã: Luzia de Siracusa, a filha de
Eutique.
(A
coorte mandou chamá-la. Perante o tribunal... )
Diocleciano:
Tu
és Luzia de Siracusa?
Luzia:
Sim,
sou eu.
Diocleciano:
Recebi
a denúncia de que és traidora da nação romana por ser cristã.
Que dizes a respeito?
Luzia:
É
verdade. Sou cristã.
Diocleciano:
Mas
é tão bela e jovem... Que te parece voltar atrás?
Luzia:
É
um caminho sem volta. Não posso desistir do ideal. Do meu porto
seguro. Se fizer isso, aí sim serei uma traidora.
Diocleciano:
Mas
ninguém verá. Só necessita queimar incenso aos nossos ídolos e
então salvará sua vida.
Luzia:
Prometes
que ninguém verá?
Diocleciano:
Dou
minha palavra.
Luzia:
Então
eu te dou a minha de que também não o farei, pois um ato sem
testemunha, é inexistente.
Diocleciano:
Jovem
corajosa. Veremos até onde...
Luzia:
Até
o fim, se preciso for!
Diocleciano:
Pois
que seja então! Guardas, coloquem-na numa casa de prostituição.
Fizeste o voto, não? Mas o quebrará à força!
Luzia:
O
que o coração não consente, o corpo não tem culpa.
Post. Augusto Freire

