Quintiano:
Sua
prostituta, dê o fora, se quiser viver.
Prostituta:
Com
licença.
(A
prostituta sai)
Quintiano:
Guardas!
Guarda:
Sim.
Quintiano:
Trazei-me aqui Ágata.
(Eles
levam a jovem à presença do governador)
Quintiano:
Não
te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do Cristianismo, quando
pertences a nobre família?
Ágata:
A
escravidão
de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos Reis.
(Quintiano
dá várias bofetadas na jovem que ela desmaia.)
Quintiano:
Ponham-na
no cárcere.
(Ágata
é levada para a prisão)
Guarda:
Tem
ideia do que pode te acontecer? Eu no seu lugar já teria queimado
incenso aos deuses do governador. Será melhor pra você, digo, se
quer evitar maiores sofrimentos.
Ágata:
Não
é assim que deve ser. A fidelidade se prova no difícil. Isso é um
mal necessário, mas serei fortalecida.
Guarda:
Se
é o que diz...
(No
dia seguinte...)
Guarda:
Governador,
que devo fazer à jovem Ágata?
Quintiano:
Traga-a.
(Ágata
é trazida diante dele.)
Quintiano:
Bom,
como não quiseste desertar diante de teu propósito de ser cristã.
Eis tua sentença:
Serás
torturada, os membros lhe serão deslocados e o corpo todo queimado
com chapas de cobre em brasa e os seios cortados com alicates de
ferro.
Ágata:
Não
te envergonhas de mutilar na mulher o que a tua mãe te deu para dele
tirares o alimento?
Quintiano:
Cale
a boca! Guardas, que estão esperando? Vamos, torturem-na!
(Os
guardas cumprem a sentença. Quintiano chama o capitão)
Quintiano:
Capitão!
Cuide para que esta não receba nenhum tratamento especial a fim de
que se cure. Após tudo isso, seja colocada novamente no cárcere e
lá permaneça até morrer.
Capitão:
Não
acha que é muito cruel?
Quintiano:
Não.
E não me discuta. Eu mando aqui.
Capitão:
Sim,
governador.
(O
capitão sai. Ágata é jogada na prisão. Anoitece. Uma sombra
humana cobre a cela)
Ágata:
Quem...
é... você?
(Ágata
vê com dificuldade um velho)
Pedro:
Eu
sou o velho Pedro. Não tema, vim ajudar-te. Fui mandado por Jesus
Cristo, para aliviar os seus sofrimentos e curá-la. Quero elogiar
sua firmeza e animá-la a continuar impávida no sofrimento. Ainda
não acabou.
(O
velho toca nas mãos dela e Ágata se vê completamente curada. Pedro
some. Ágata, cheia de gratidão, levanta-se e, de pé, começa a
entoar hinos de louvor a Deus:)
Ágata:
Eu
O louvo pelas maravilhas que operou
em
meu favor na cidade fortificada, na minha ansiedade Ele me sossegou,
Sua presença perto de mim vi confirmada.
Post. Augusto Freire

