CAPÍTULO
116
Danilo:
Boris? Você
está aí? Boris?
Boris:
Estou aqui.
Danilo:
Senta. Eu
preciso... falar com você.
(Boris
senta e permanece assustado)
Danilo:
Eu posso
ouvir...
Boris:
Ouvir o
que?
Danilo:
O som da
sinceridade.
(Danilo
coloca as mãos em cima da mesa)
Danilo:
Sabe, eu
não preciso que os meus olhos permitam olhar no fundo dos seus pra
saber que fala a verdade quando diz que está arrependido. Eu sinto
isso. Quando você respira. Quando fala. O tom de voz é diferente.
Não tem fingimento. (começa a chorar). E pode parecer loucura mas
eu não tenho raiva de você, pelo contrário. Eu torço pra que você
saia daqui logo e tenha um futuro brilhante pela frente quando
estiver lá fora. Boris, eu te perdoo.
Boris:
Você me
perdoa, mesmo, mesmo depois de tudo o que eu fiz?
(Danilo
faz que sim com a cabeça e sorri. Boris segura a mão de Danilo)
Boris
(chorando): Ai,
parece mentira. Eu fiz tanto mal a você e a sua família. E olha
como as coisas são...
Danilo:
Eu só iria
sofrer mais se guardasse essa mágoa. Então...
Boris:
Danilo...
Danilo:
Que?
Boris:
Posso te pedir um abraço?
(Os
dois se abraçam chorando. Chega o guarda.)
Guarda:
Tempo
esgotado.
Boris:
Danilo...
Danilo:
Que?
Boris:
Tem
notícias da Alicia?
Danilo:
Foi encontrada vagando pelas ruas... desequilibrada. Teve de ser
internada numa clínica.
(CLÍNICA
PSQUIÁTRICA SANTA GERTRUDES: No jardim da clínica estão vários
doentes mentais, dentre eles, Alicia que pergunta ao “nada”:)
Alicia:
Você viu
meu irmãozinho mais novo... o Boris?
(Enquanto
isso, Ana e Joaquim vão à casa de Eva)
Eva: Dona
Ana e Seu Joaquim, finalmente o momento esperado.
(Dimitri
desce a escada e olha fixamente para os pais biológicos.)
Ana:
Finalmente...
Joaquim:
Obrigado,
meu Deus...!
Dimitri:
Vocês
são...
Joaquim:
Ana e
Joaquim, seus pais biológicos.
Dimitri:
Como é
isso? Podem me explicar, por favor? Onde está minha mãe?
Ana:
Nós temos
que conversar muito. Só lhe peço que confie em nós. Pois não
queremos lhe fazer mal.
Dimitri:
Minha vó
já me disse uma parte. Creio que... deixa pra lá... Me abracem!
(Os
três se abraçam)
Post. Augusto Freire

