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ÁGATA - CAPÍTULO 06

15 junho, 2013


Dióscoro: Ele voltará. Fuja, filha. Você assinou sua sentença de morte.
Ágata: Não temo. Não fará nada comigo. Eu garanto.
(Dias depois, eles recebem uma notícia. São oficiais do Governador Quintiano)
Dióscoro: O que quereis fazer aqui?
Oficial: Por ordem do Governador Quintiano, Ágata está presa por cometer um crime de se declarar cristã.
Dióscoro: Não permitirei que levem minha filha.
Oficial: Então a levaremos à força!
Ágata: Não tenha medo, meu pai. É necessário que se faça. Podem me prender. Há alguém maior e mais forte que me faz livre.
(Ágata é presa e levada diante de Quintiano. Lá, ela encontra Marcius que a acusa)
Quintiano (rindo-se): Então é essa a criminosa? Uma criança? Por favor! Nobre Marcius, que maturidade ela pode ter? Quantos anos tem?
Ágata: 15.
Quintiano: Todavia é muito jovem, criança. Seria muito cruel de minha parte condená-la à morte. Que fizeste?
Ágata: Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse da minha alma e de tudo o que me pertence. Sois o Pastor, eu sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer as tentações do Demônio.
Marcius: Não lhe parece suficiente?
Quintiano: Cale a boca, Marcius! Saia daqui!
(Marcius sai.)
Quintiano: Agora estamos só nós dois. E eu não tinha reparado que além de muito jovenzinha, és bela e atraente. Que te parece ser a esposa de um governador?
Ágata: Não.
Quintiano: Concubina?
Ágata: Por riqueza alguma. Eu prefiro a morte a trair o meu Senhor Deus.
Quintiano: Guardas!
(Chegam os guardas.)
Quintiano: Tirem-na daqui. E levem-na para aquele prostíbulo de má fama nos limites da cidade. Veremos até quando ela será fiel a seu Deus.
(Um mês depois... Quintiano manda chamar a prostituta)
Quintiano: Aqui está teu pagamento. Dê-me notícias de Ágata.
Prostituta: O Senhor achou mesmo que ela fosse se perder... Enganou-se. Ágata durante todo esse tempo esteve resguardada e por mais que insistissem, ela não quebrou os votos. É como se uma barreira invisível a protegesse. Parece loucura, mas acho que aquela garota tem um pouco de razão.
Quintiano: Razão... de que? Quer morrer aqui mesmo?
Prostituta: Será este o destino dela?
Quintiano: Isso é ela quem decide. E não te interessa. Aliás, retire-se, porque já não tem nada o que fazer aqui.
Prostituta: Foi bom negociar com o senhor, e mais ainda saber que saiu perdendo. Ela nunca será sua. Nunca, nunca, jamais.
Quintiano: Dê o fora, se quiser viver.
Prostituta: Com licença.

Post. Augusto Freire
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