Ágata:
Não temo. Não fará
nada comigo. Eu garanto.
(Dias
depois, eles recebem uma notícia. São oficiais do Governador
Quintiano)
Dióscoro:
O que quereis fazer
aqui?
Oficial:
Por ordem do Governador
Quintiano, Ágata está presa por cometer um crime de se declarar
cristã.
Dióscoro:
Não permitirei que
levem minha filha.
Oficial:
Então a levaremos à
força!
Ágata:
Não tenha medo, meu
pai. É necessário que se faça. Podem me prender. Há alguém maior
e mais forte que me faz livre.
(Ágata
é presa e levada diante de Quintiano. Lá, ela encontra Marcius que
a acusa)
Quintiano
(rindo-se): Então é
essa a criminosa? Uma criança? Por favor! Nobre Marcius, que
maturidade ela pode ter? Quantos anos tem?
Ágata:
15.
Quintiano:
Todavia é muito jovem,
criança. Seria muito cruel de minha parte condená-la à morte. Que
fizeste?
Ágata:
Jesus
Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe
conheceis o desejo. Tomai posse da minha alma e de tudo o que me
pertence. Sois o Pastor, eu sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de
vencer as tentações do Demônio.
Marcius:
Não
lhe parece suficiente?
Quintiano:
Cale
a boca, Marcius! Saia daqui!
(Marcius
sai.)
Quintiano:
Agora
estamos só nós dois. E eu não tinha reparado que além de muito
jovenzinha, és bela e atraente. Que te parece ser a esposa de um
governador?
Ágata:
Não.
Quintiano:
Concubina?
Ágata:
Por
riqueza alguma. Eu prefiro a morte a trair o meu Senhor Deus.
Quintiano:
Guardas!
(Chegam
os guardas.)
Quintiano:
Tirem-na
daqui. E levem-na para aquele prostíbulo de má fama nos limites da
cidade. Veremos até quando ela será fiel a seu Deus.
(Um
mês depois... Quintiano manda chamar a prostituta)
Quintiano:
Aqui
está teu pagamento. Dê-me notícias de Ágata.
Prostituta:
O
Senhor achou mesmo que ela fosse se perder... Enganou-se. Ágata
durante todo esse tempo esteve resguardada e por mais que
insistissem, ela não quebrou os votos. É como se uma barreira
invisível a protegesse. Parece loucura, mas acho que aquela garota
tem um pouco de razão.
Quintiano:
Razão...
de que? Quer morrer aqui mesmo?
Prostituta:
Será
este o destino dela?
Quintiano:
Isso
é ela quem decide. E não te interessa. Aliás, retire-se, porque já
não tem nada o que fazer aqui.
Prostituta:
Foi
bom negociar com o senhor, e mais ainda saber que saiu perdendo. Ela
nunca será sua. Nunca, nunca, jamais.
Quintiano:
Dê
o fora, se quiser viver.
Prostituta:
Com
licença.
Post. Augusto Freire

