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OPINIÃO: POLÍTICA NADA BEM EM ALCÂNTARAS

03 outubro, 2012

 O QUE ACONTECE NA POLÍTICA ALCANTARENSE, AO MEU VER, CLARO!

A atual campanha eleitoral à prefeitura de Alcântaras tem muito de temperamental. No início, candidatos majoritários prometiam evitar baixarias e se pautar pelos compromissos elencados nos programas partidários. Para muitos poderia até haver aqui no município uma campanha de "alto nível” disseram alguns, até porque representam partidos grandes a nível nacional, PSB – Partido de poderosos governadores e aliados de Dilma; PSD – o mais novo partido, que tem a figura nacional de Kassab, um partido que já nasceu grande. Porém, não é bem assim que as campanhas de ambas as coligações caminham não!


Vamos lá. Para mim o mínimo que os candidatos deveriam fazer era se esforçar para convencer o eleitor de que, caso mereça ser eleito, a nova administração municipal (ainda que de um candidato à reeleição) será melhor que a anterior. Haverá avanços no atendimento à saúde, na qualidade da escola pública, no transporte coletivo, na coleta de lixo etc. Gerenciar bem a cidade é o que importa. Mas surgem as carreatas, esquentas, abafas e “pulas” e “viras” e “voltas”, surgem boatos e blá blá blá, aí o fantasma estatístico que os alcantarenses têm de contar motos e carros nos movimentos politicos acabam de vez com as campanhas sérias e ordenadas que poderiam ocorrer nesse pedacinho do Brasil, o fato é que do meio pro fim paira sobre a cabeça de cada concorrente ao pleito a vontade de ganhar e vencer a qualquer custo. A cada carreata o candidato está eleito, é incrível o pensamento dos cidadãos alcantarenses, o eleitorado reage a cada “esquenta” e “abafa”, não reage a cada bandeira defendida por cada candidato, afinal, qual bandeira cada candidato defendem mesmo?


Nessa época, na terra de João Capistrano, o povo não merece aplausos em matéria de comportamento. Gosta de baixaria real (como no Big Brother) ou virtual (semelhante nas novelas). Nada que faça pensar e ter opções próprias. E programa de governo faz pensar e exige um mínimo de discernimento crítico.


O que dá ibope é a relação conflituosa entre Carminha e Nina, e não entre o que é bom pra mim e o que é bom pra todos.


Assim, candidatos tanto a prefeito com a vereador com o aval do povo tendem, na reta final da campanha, a esquecer as promessas administrativas e partir para a agressão verbal. Qual mágicos de um circo de terror, tiram da cartola todas as acusações, mazelas e maracutaias que possam afetar os adversários.


O mais curioso é que, na falta de reforma política (sempre prometida e adiada), os eleitores assistem à uma esdrúxula panaceia. Aliados de ontem são inimigos de hoje nas eleições municipais. Ontem, beijos; hoje, tapas.


Ocorre que, com raras exceções, acusadores e acusados na esfera municipal (PT – PcdoB, por exemplo) são, ainda hoje, aliados na esfera federal. O que revela uma política cada vez mais despolitizada, desideologizada, atrelada à mera fome de poder.


Como não há almoço de graça nem barraco sem roupa suja a ser lavada, os efeitos dessa nefasta maneira de fazer política serão sentidos nos próximos 4 anos.


Toda a questão de fundo dessa conjuntura reside na cultura (a)política que respiramos nesse clima de neoliberalismo. Nenhum candidato questiona o sistema em que vivemos. Já não se fala em aproveitar o período eleitoral para "conscientizar e organizar a classe trabalhadora”. Tudo se resume, como nas eleições presidenciais nos EUA, a criar impactos emotivos para tirar o eleitor do marasmo e do desencanto. E os recursos mais utilizados são o "retrato de família”, compra de votos, mentiras, boatos de esquinas e mesa de bar, os discursos de elitistas e carismáticos e o medo: do desemprego, da perda da aliança, e etc, etc...

Estamos todos sendo progressivamente domesticados pelo infame princípio “Maria vai com as Outras” ou na cultura colossal e decadente de se fazer política, de modo a trocar liberdade por segurança, opinião própria por consenso, espírito crítico por venerável anuência à palavra do “líder”, e olha que tem muito líder aí não líder, mas marionetes.



Corremos o risco de ter, no futuro, uma sociedade de invertebrados políticos.

Texto: Douglas Alcântara
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