Alexandra:
Ela
não pode se casar porque está consagrada a Deus... Ela não vai
fazer isso jamais!
Dióscoro:
Minha
filha fez isso? Mas... onde ela está?
Alexandra:
Recolhida
em seus aposentos. Rogo-te que não a maltrates.
Dióscoro:
Isso
eu resolvo. Vou até ela.
(Dióscoro
vai ao quarto de Ágata)
Dióscoro:
Diga
que é mentira o que tua mãe acaba de dizer-me. Eu exijo.
Ágata:
Meu
pai, eu não o posso.
Dióscoro:
De
maneira que é certo. E com que direito o fazes sem consultar a mim?
Eu, que sou teu pai?... Mas não importa mais. Sabes que... deve
haver algum jeito de renunciares a este voto. Pense bem e o faça de
imediato.
Ágata:
Infelizmente
não há, meu pai.
Dióscoro:
Se eu oferecesse uma grande soma em dinheiro em troca da sua
liberdade, talvez...
Ágata:
Ainda
assim seria inútil. Eu não me comprometi com um homem, mas com
Deus.
Dióscoro:
Neste
caso, já que renunciaste à tua liberdade por amor a este Deus,
veremos até que ponto suportará.
Alexandra:
Meu
senhor, que vais fazer?
Dióscoro:
Espere
e verás. Este noite seu prometido virá vê-la, Ágata. Se não o
tratares bem, nem mudares de ideia, verás: pagarás caro por tua
escolha. Juro-te por Júpiter.
(Dióscoro
sai)
Ágata:
Que vou fazer, mamãe, o que?
(À
noite... Chega Marcius. Alexandra vai ao aposento da filha)
Alexandra:
Filha minha, ele já está aí.
Será melhor ir vê-lo.
Ágata:
Diga a meu pai que não me
tardo. Devo pôr meu vestido mais belo.
Alexandra:
Rogo-te que não cometas nada
que possa arrepender-se.
Ágata:
Eu prometo minha mãe. Serei
prudente.
(Enquanto
isso, na sala, os cavalheiros se acertam)
Dióscoro:
É uma grande e feliz honra
tê-lo em nossa casa, nobre Marcius.
Marcius:
A satisfação é toda minha,
gentil Dióscoro. Ansioso estou por conhecer sua filha Ágata, minha
prometida.
Dióscoro:
Não deve demorar. Já foi
avisá-la da chegada do noivo, mulher?
Alexandra:
Sim, meu senhor.
Dióscoro:
Então ela já deveria estar
aqui. Por que não desce? Onde está essa menina que não vem?
Ágata:
Aqui estou.
(Todos
olham para o andar de cima. Ágata está com o seu melhor vestido.
Ela vem descendo lentamente e para ao lado da mãe)
Ágata:
Bem vindo, senhor Marcius.
Marcius
(aproximando-se dela): Por que
tantas formalidades? Chame-me apenas por você.
(Ágata
dá as costas a ele.)
Ágata:
Ainda não me sinto à vontade,
perdoe-me.
Marcius:
Como queira...
(Marcius
toca o braço dela e começa a acariciá-la. Ágata reage
educadamente, retirando o braço e virando-se)
Ágata:
Creio eu que o senhor está
indo rápido demais, não acha?
Post. Augusto Freire

