(11 de dezembro de 2012. Talitta está preocupada e vai falar com João Diego. )
Talitta: João Diego, vou precisar da sua ajuda de novo.
João Diego: No quê?
Talitta: Estou na última semana do semestre da faculdade e tenho que estudar as provas e os seminários. Tô sem tempo de vender os doces e ainda faltam 4 prestações e eu tenho que pagar a minha viagem para a Comunidade Vida de Acaraú.
João Diego: E o que você quer que eu faça?
Talitta: Bom, eu tava pensando em..
João Diego: Fazer os doces pra eu vender? Claro que eu posso! Vá deixar amanhã cedo na minha casa. Estamos numa semana de eventos religiosos na cidade e eu vou buscar nossos clientes lá. Pode deixar, Talitta. Eu te ajudo a ir a JMJ.
Talitta: Aonde tá querendo vender?
João Diego: Amanhã é a última novena de Santa Luzia na Igreja do Rosário. Prepare uma boa quantidade, porque dia 13 tem a missa da festa às 08h, e a missa de Nossa Senhora ao Meio Dia. Mas eu também vou vender nas ruas. Outra coisa, sábado dia 22 tem a Procissão de Nossa Senhora lá na Igreja São Francisco. Venderemos lá também. Depois a gente vai vender na Novena do Natal.
Talitta: Como sabe de tantos eventos?
João Diego: Eu sei, só isso.
(No dia seguinte, de manhã cedo Talitta vai deixar os doces na casa de João Diego.)
Talitta: Aqui estão 75 doces. Boas vendas.
João Diego: Certo, Talitta.
(João Diego vai às missas de Santa Luzia e lá consegue um bom número de vendas, exceto na missa de manhã, pois as pessoas evitaram comprar doces naquele horário. Às 10h a missa acaba, ele tem uma ideia.)
João Diego: Já sei, eu vou vender aqui por perto. Mas onde?
(João Diego passa em frente ao seu antigo emprego. Ele pensa:)
João Diego: Que será que eles vão pensar ao me ver vendendo doces? Será que vão rir de mim? Vão me humilhar?
(João Diego entra e é SUPER BEM ACOLHIDO por seus antigos colegas de trabalho, que lhe compram metade dos doces, e pedem que ele regresse no dia seguinte. 11:30. João Diego vai à Igreja para a missa de Nossa Senhora de Fátima. Lá, porém, ele não consegue vender nenhum. À tarde, ele vai ao escritório do amigo Edilberto, contador.)
João Diego: Tá muito ocupado?
Edilberto: Entra aí, João Diego! Tudo bem? Cara, não se preocupe, nunca estou ocupado pra um amigo. Diga lá o que você manda?
João Diego: Me compra uns docinhos?
Edilberto: Copiou a ideia da Talitta?
João Diego: Digamos que eu seja um terceirizado. Voluntário, hein?
Edilberto: Tá vendendo docinhos pra ela a troco de nada?
João Diego: Ela tava precisando, cara. Não tá fácil pra ela pagar a viagem.
Edilberto: Você não vai á Jornada, mas mesmo assim... Diego, essa é uma grande demonstração de amizade.
João Diego: Sim, obrigado mas, e os doces?
Edilberto: Três, por favor. Olha, que Deus te abençoe cada vez mais. Você é um grande exemplo.
João Diego: Eu só faço o que queria que fizessem por mim.
Edilberto: Algum dia virão em dobro todas as recompensas.
(À noite, João Diego vai até a Comunidade encontrar Talitta e prestar contas)
João Diego: Aqui está, eu vendi R$ 62,00.
Talitta: Não acredito, João Diego. Muito obrigada! Pega, pode pegar um docinho.
João Diego: Não, não. São pra vender.
Talitta: Para de ser orgulhoso e pega sua comissão, menino. Você me ajudou bastante. Eu ainda não acredito como pode existir uma amizade desse jeito que não pede nada em troca.
João Diego: Só te peço que reze por mim na Jornada.
Talitta: Ainda dá tempo, João Diego. Vamos? Você agora vai trabalhar, vem com a gente. Não fica de fora, não perca essa graça. Não fique escorado aceitando essa mesmice. Acorda, garoto! Vem!
Post. Augusto Freire

